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Como é feita uma história em quadrinhos

Se tivéssemos que definir as histórias em quadrinhos em uma só palavra, ela provavelmente seria “única”. A mistura entre boas ilustrações, um enredo criativo e uma narração imersiva é o que torna as HQs um jeito singular de contar uma história, brincando com a interpretação e imaginação do leitor.

Elas nasceram em 1895 com o personagem Yellow kid (ou menino amarelo), criado pelo artista norte americano, Richard Outcault. As tirinhas do protagonista de pijama amarelo chamaram tanta atenção, principalmente por ter uma linguagem visual completamente diferente de tudo o que era publicado na época que, em pouco tempo, tornaram-se disputadas por vários jornais americanos, saindo apenas na revista Truth, no jornal New York World e no New York Journal American. Além das tirinhas, o personagem tinha algumas edições impressas de gibis próprios.

Tirinha "The Yellow Kid", do artista norte americano Richard Outcault.

E falando em gibis, vale reforçar que, depois de 1895, muitos outros quadrinhos surgiram trazendo formas diferentes de apresentar a história narrada e uma variedade maior de assuntos abordados. Esse é um dos principais motivos para o sucesso das histórias em quadrinhos. A quantidade absurda de estilos e temas. É graças a isso que alcançam públicos com todo tipo de interesse, desde histórias de infantis até ficção científica.

Mas afinal, como as histórias em quadrinhos são feitas?

O processo para a criação de uma história em quadrinhos vai muito além de desenhar e escrever balõezinhos. Marcelo Oliveira, fundador da UCMComics, estúdio de webcomics, explica em entrevista à Revolution Now como este processo normalmente acontece. Veja a seguir os passos fundamentais:

Roteiro

Podemos pensar no roteiro como uma sinopse de toda a história. O roteirista, profissional responsável por essa criação, tem o dever de descrever com detalhes como a história vai acontecer, apresentando seus personagens, pontos de ancoragem (com outras edições, por exemplo), momentos de ação e clímax. Além disso, é necessário que neste ponto da produção, o gênero em que a história se encaixará seja muito bem definido. Ainda dentro do roteiro, tem algo chamado roteiro de quadrinhos que, diferente do próprio roteiro, deve ser organizado respeitando algumas regras como tempo de ação, número de páginas, respiros e etc.

Storyboard

O storyboard é uma das partes mais importantes, se não a mais, de todo o processo de criação e execução. É nesta fase que a HQ começa a ganhar forma. Com base no roteiro, o ilustrador começa a esboçar cada página e quadro para apresentar sua ideia geral da história.

É importante que o artista responsável por esta etapa saiba desenhar trabalhando com o enquadramento e uso de perspectiva, assim como controlar as linhas de ação, movimentos e expressões faciais. Desta forma, o storyboard fica mais detalhado e consegue cumprir melhor o seu papel no processo de produção. Além disso, ele deve ter domínio sobre técnicas de storytelling, desenvolvendo já nos esboços uma  estrutura narrativa visual.

Modelo de storyboard de um quadro. (Crédito: Escola Revolution)

Todos estes processos podem ser estudados e desenvolvidos com o tempo. A própria Revolution oferece cursos presenciais de storyboard, partindo dos fundamentos de desenho necessários para esta função até a finalização digital. Confira aqui mais detalhes do curso.

Depois de pronto, o ilustrador apresenta os esboços ao roteiristas e ambos discutem os possíveis pontos a melhorar até entrarem em sintonia sobre como a história vai ser, de fato, contada.

É importante lembrar que a produção de um storyboard não é uma etapa apenas dos quadrinhos. Por ser como um guia visual de todas as cenas que serão produzidas, ele também é muito comum em produções audiovisuais, como animações e live-actions.

Arte

Depois de ter todo o roteiro e storyboard definidos, o artista começa a dar vida ao personagens e a trama, construindo um universo totalmente próprio, cheio de detalhes e perspectivas únicas. Após finalizado o processo de desenho a lápis, toda a arte é contornada, normalmente com nanquim, pelo arte finalista e, ao final, digitalizada e colocada no co computador. Nele, as páginas são coloridas, diagramadas e finalizadas com alguns ajustes de enquadramento, quando necessário.

E depois que a história está pronta?

Mesmo não fazendo parte, diretamente, da produção de uma HQ, a impressão e veiculação são muito importantes.

Impressão

Ao final de todo o procedimento de finalização, a edição é salva em um arquivo e é enviada para a gráfica que, por sua vez, já tem instruções da equipe de edição sobre como a impressão deve ser feita, envolvendo formatos de página, tipo de papel e outras informações técnicas.

Veiculação

O último ponto, mesmo que não esteja diretamente ligado ao processo, é um dos mais importantes. Não criamos a nossa arte apenas para nós mesmos, certo? É nesta fase que, depois de impressa, as revistas são distribuídas em lojas especializadas, livrarias e onde mais for possível para que seja comprada e apreciada.

Crédito: Divulgação - Geek.etc.br

Como fica o processo das webcomics?

Além da veiculação física, muitas HQs estão disponíveis para serem consumidas digitalmente, como é o caso dos quadrinhos da Marvel, lançados internacionalmente e com um intervalo de tempo muito grande até chegarem nas bancas brasileiras. Mas, isso é diferente de uma HQ já pensada para meio digital. Esta “nova categoria” chamada Webcomic surgiu em 1985, com a publicação do quadrinho Witches and Stitches,de Eric Millikin.

O processo de criação para as revistas digitais não é muito diferente do da física. Marcelo de Oliveira fala que o que difere uma da outra é em que ponto a produção se conclui. (Para ler a entrevista completa, clique aqui)

“Para o quadrinho digital, não há muita diferença no processo dado ao roteirista, ao desenhista, ao arte finalista e ao colorista. Muitas vezes, esses artistas preferem trabalhar muito mais no computador, do que a mão livre, o que não difere nada em sua importância e competência. A revista digital será publicada apenas online, então o processo acaba parando antes do fechamento do arquivo para à gráfica”.

O arquivo digital criado pode ter várias extensões (como PDF, EPUB, MOBI, entre outros) e ser compartilhado gratuitamente ou vendido online, variando de estúdio para estúdio.

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Lacrimosa - Catharina Baltar

18 anos, cabeça nas nuvens e viciada em marca-páginas,
Prazer.

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