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Como os Efeitos Visuais são Produzidos

Os efeitos visuais, mais conhecidos como VFX, são um dos componentes mais importantes dentro da produção de filmes – não necessariamente voltados para o cinema. Com eles, é possível adicionar elementos, como criaturas que não existem de verdade em nosso universo, e retirar elementos, como por exemplo, cordas de suspensão, que não devem aparecer no resultado final.

Em outras palavras, podemos dizer que os VFX são composições digitais que permitem que cenas de filmes ganhem uma certa magia, tornando-se mais empolgantes para quem assistirá, sem deixar de parecer real.

Neste artigo, abordaremos como se dá a produção desses efeitos dentro de filmes (publicitários, cinematográficos e até animações), qual o software mais indicado e quais são as melhores formas de começar uma carreira dentro da área.

Efeito Visual ou Efeito Especial?

Quem nunca ouviu algum comentário elogiando os efeitos especiais de um filme, não é mesmo? Acontece que, na maioria dos casos, os elogios se referem aos efeitos visuais. Apesar de terem nomes semelhantes, os dois conceitos não são sinônimos.

Os efeitos visuaiscomo já foi explicado, diz respeito à efeitos produzidos através de um software, ou seja, é todo desenvolvido digitalmente. Já os efeitos especiais, são o contrário. Chamamos de especiais todos os efeitos que foram produzidos de forma real, durante o processo de gravação das cenas.

Pensando de uma forma prática: Quando criamos criaturas, como um gato sorridente flutuando, através da modelagem digital e depois adicionamos à cena, estamos falando de um efeito visual. Agora, se de algum jeito existir um gato sorridente e ele estiver flutuando no meio do set de filmagem, isso será um efeito especial.

Processo de produção de VFX

Engana-se quem pensa que a criação dos efeitos visuais começa só depois que toda a gravação for concluída e editada. Para Luciano Cequinel, professor de efeitos visuais aqui da Revo, o processo mais simples pode ser dividido em três etapas fundamentais: Pré-produção, criação de elementos e composição. Para que as coisas fiquem mais claras durante o texto, tenha em mente o filme  “Alice no País das Maravilhas”, dirigido por Tim Burton.

  • Pré-produção

O que deve acontecer nesta etapa é, na verdade, o processo inicial de quase todas as produções audiovisuais. Aqui, a equipe de efeitos visuais começa a desenvolver concept arts, concept designs de VFXstoryboards e até mesmo esculturas (tanto digital quanto em clay). 

Além disso, também é aqui que o supervisor da equipe discutirá com o diretor do filme como devem ficar os designs de cena dos efeitos visuais. Todos estes passos são muito importantes para garantir que a) todas as ideias sejam viáveis e fiquem prontas dentro do cronograma de produção e b) todas as preparações de ambiente, figurino e adereços aconteçam da forma certa. Sem mencionar a sua função de referência para o diretor de fotografia e editores.

Entre um processo e outro (pré-produção e criação de elementos) há ainda um estágio importante, mas, que não está diretamente conectado com a criação do efeitos visuais.

Durante as gravações, o supervisor de VFX deve estar presente no set de filmagens para assegurar que a tela verde (chroma key) esteja posicionada corretamente pois, dependendo da iluminação e do posicionamento, o trabalho final de composição será mais difícil, fazendo com que o tempo de produção e os gastos aumentem, e para coletar alguns dados e informações, como os ângulos da câmera. Tudo isso facilita o processo de criação.

  • Criação de elementos

Quando, enfim, as filmagens são encerradas e editadas, passamos para a criação de elementos e atribuição de imagens. Nesta fase, todos os elementos 3D necessários para o filme (sejam eles criaturas, cenários ou objetos) começam a ser modelados e as cenas que precisam ser compostas são divididas entre a equipe para que o trabalho comece.

É importante ressaltar que, como já foi explicado na matéria sobre modelagens digitais, este processo é realizado através de softwares específicos de criação de esculturas (como o ZBrush e o Maya) e apresenta várias etapas de produção (que não são necessariamente executadas pelo mesmo profissional) para que a escultura fique pronta. Ou seja, além da própria modelagem, é necessário colorir, texturizar, iluminar – entre outros processos – para que então a renderização possa ser feita, e o elemento utilizado.

  • Composição

Podemos considerar que é nesta fase do processo que os efeitos são criados de fato. A composição é a base da indústria de VFX e a última parte que será executada. O que acontece aqui é, basicamente, o processo de montagem da cena final, juntando todos os elementos que devem fazer parte dela, desde as imagens gravadas, até os elementos 3D já desenvolvidos. 

Sabe aquela história de casar e tornar-se apenas um? É mais ou menos isso que o compositor (profissional responsável por fazer a composição) deve ser capaz de fazer com os elementos que estão sendo trabalhados. Ou seja, o resultado final deve parecer homogêneo, independente da origem dos elementos que foram utilizados para compor. E não só isso. O compositor deve atentar-se à linearidade dos frames anteriores e sucessivos, cuidando para que a cena composta esteja no mesmo padrão (em questões de cores e iluminação) que o resto do filme.

Veja o exemplo a seguir:

 

O primeiro passo da composição é selecionar a cena que será montada. A que utilizaremos como exemplo, é uma das cenas em que a Rainha de Copas, personagem interpretada pela atriz Helena Bonham, está em seus aposentos. Perceba que o imagem foi feita com um fundo verde. Isso indica que todo o cenário será inserido durante a composição.

 

 

Logo, o próximo passo é retirá-lo da imagem, editando-a para que se adeque as necessidades visuais do filme (nesse caso, aumentando a proporção da cabeça da atriz).

 

Por fim, o cenário (que aqui foi modelado digitalmente) é colocado ao fundo, substituindo o chroma key. Para que a imagem fique como deve ser, é necessário que alguns ajustes sejam feitos, pensando em cores, texturas, proporções e iluminação.

*Ao clicar na imagem, você perceberá claramente a diferença  entre os elementos presentes na cena (a imagem gravada e a modelagem digital).

 

 

Realizando estes ajustes, a imagem ficará uniforme entre si e o resultado final ficará o mais próximo possível da realidade.

Para trabalhar dentro da área de efeitos visuais, além de um amplo conhecimento em técnicas de iluminação e classificação de cores, por exemplo, é preciso ter uma certa habilidade com storytelling, ou seja, é necessário saber contar histórias apenas com as imagens.

Mas, você pode estar se perguntando: “Mas não é um filme? Não estamos mais na época do cinema mudo”. Sim, é óbvio que o storytelling dentro dos filmes não acontece apenas através das imagens. Contudo, durante o processo de composição, é importante pensar que os elementos presentes na cena devem conseguir passar o contexto por si só.

Qual software devo usar para compor?

Atualmente, existem inúmeros programas de composição e criação de VFX disponíveis para uso. O After Effects, da Adobe, é um exemplo. Entretanto, apesar de ser um software muito utilizado para desenvolver os efeitos visuais, principalmente aqui no Brasil, ele não é o melhor para esta finalidade.

Dentro do mercado de produções cinematográficas, publicitárias e até mesmo animações, o Nuke, software da The Foundry, é o mais forte e mais presente.

Área de trabalho do Nuke, software para composição e criação de efeitos visuais.

Ele foi desenvolvido em 1993, por Bill Spitzak e colaborou com a produção de filmes como TitanicApollo 13 True Lies. Acho que só aí já dá para ter uma ideia da complexidade do programa, não é?

Por ser o software mais usado no mercado, seu valor não é tão acessível e sua usabilidade exige muito estudo. Por isso, a própria The Foundry, empresa de domínio do programa, criou uma guia exclusivo de tutorias sobre a usabilidade do Nuke dentro do universo de efeitos visuais e oferece uma versão não-comercial do programa.

Se você tiver interesse em aprender a trabalhar com efeitos especiais no The Foundry Nuke, você pode matricular-se no curso de Composição de Efeitos Visuais, com o professor Luciano Cequinel, que é certificado pela The Foundry, clicando aqui.

Como eu começo uma carreira na área de efeitos visuais?

No Brasil, a área de VFX ainda não é muito bem posicionada. Não é tão fácil encontrar produções brasileiras de filmes cinematográficos que usem e necessitem tanto desse tipo de recurso e, por isso, ainda não existe um mercado muito grande. Entretanto, existe sim uma certa demanda, e ela está presente nos filmes publicitários e – um pouco – em animações.

Então, antes de tudo, é necessário ter bem definido quais são os seus objetivos dentro da área. Como já vimos, ela pode ser divididas em várias etapas e cada uma delas exigirá conhecimentos e habilidades específicas. Por exemplo, quem irá trabalhar com o desenvolvimento das esculturas 3D, deve entender de proporção, volume, ter técnicas de luz e sombra, anatomia e por aí vai.

Assim que isso já estiver claro, o principal para começar uma carreira com VFX virá naturalmente: Estudo e prática. Assim como qualquer área, o primeiro passo para entrar no mercado é se aperfeiçoar e conseguir dominar bem o que se está fazendo. Além disso, separamos algumas dicas que podem ajudar.

  • Estudar conceitos básicos da área de audiovisual  (luz/sombra, teoria das cores, composição de quadros e etc.), mesmo que não estejam ligados diretamente com a composição de cena;
  • Fazer projetos próprios pra estudar e treinar (E claro, sempre que possível, divulgá-los).
  • Começar a montar uma demo reel (uma espécie de portfólio de vídeo). Nele você pode demonstrar suas habilidades e experiência dentro da área;
  • Criar contatos/networking;
  • Visitar algumas produtoras locais, se apresentar e conversar com profissionais atuantes no mercado;
  • Não ter medo de se arriscar dentro da área;
  • Nunca parar de estudar! Áreas que pertencem ao universo de entretenimento estão em constante evolução. É importante conhece-las.

Vale ressaltar que, mesmo que no Brasil os efeitos visuais não tenham um mercado tão grande dentro de produções cinematográficas, não é impossível trabalhar com isso. Inúmeros compositores brasileiros trabalham com produções de fora do país.

Se quiser entender mais detalhadamente como os efeitos visuais são produzidos, ouça o episódio 66 do Sala 1604, nosso podcast.

Leia também a indicação do professor Luciano Cequinel sobre composição: O livro Digital Compositing for Film and Video: Production Workflows and Techniques”

Esta matéria foi produzida com o auxílio do professor Luciano Cequinel, responsável pelo curso de Efeitos Visuais da escola Revolution.

18 anos, cabeça nas nuvens e viciada em marca-páginas,
Prazer.

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