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Conheça os Ganhadores do Concurso Topia 2019

Temos uma novidade – não tão nova assim – para te contar: Depois de quase cinco meses desde o lançamento do Concurso Topia 2019, finalmente os vencedores foram anunciados! A divulgação do resultado aconteceu no dia 31/01, através da página do facebook e dos stories, no instagram, oficiais do evento.

Se você ainda não está sabendo quem são os grandes vencedores, relaxa! Temos a lista aqui e vamos te apresentar como as obras ganhadores foram pensadas e feitas. Confere aí 🙂

O que foi o Concurso Topia 2019?

O Concurso de Arte do Topia 2019, realizado em conjunto com a Escola de Artes Revolution, aconteceu de setembro de 2018 à janeiro de 2019. A proposta do concurso era reimaginar digitalmente o acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, destruído em um trágico incêndio no início de setembro de 2018.

As regras eram simples: Cada participante deveria escolher uma ou mais peças do acervo do museu e reimaginá-la, a colocando em um contexto maior, com uma nova interpretação e reforçando seu valor histórico. Ela poderia ser feita dentro de duas categorias, uma 2D e outra 3D. Ah, a obra poderia ser feita individualmente ou em dupla (juntando uma pessoa de 2D e uma de 3D)! E quem fizesse em dupla ganhava pontinhos extras.

Agora sobre os prêmios: Ao total seriam 7 artistas vencedores, sendo três na categoria 2D, três na 3D e um vencedor na categoria Voto Popular (que era exclusiva para artistas inscritos na categoria 2D). O prêmio para os primeiros lugares consistia em um ingresso para o Topia Art Experience 2019, passagens para Curitiba (local do evento) e hospedagem. Além de um sketchbook e 02 prints autografados.

Já para os segundos lugares, o prêmio era 50% de desconto na compra do ingresso, um sketchbook e os 02 prints. E o terceiro lugar ganharia 50% de desconto no ingresso e 02 prints autografados. Por fim, o artista que ganhasse na categoria Voto Popular ganharia um ingresso para o evento.

Mais um concurso no ar!

Caso você não estivesse sabendo da existência deste concurso, não se preocupe! O Topia, em parceria com a Escola de Artes Revolution, a Formlabs: High Resolution 3D Printers e a CPMH Impressão 3D, está lançando o 2º concurso de Arte do Topia 2019 O/

Este concurso é exclusivo para artistas que trabalham com modelagem 3D e o objetivo principal é criar digitalmente uma personagem para povoar o universo de Topia. A ideia é que a personagem se encaixe no mundo e que represente algum tipo de mestre ou ícone do “conhecimento”.

Ah, aqui serão premiadas três artes e os três selecionados pelo júri vão receber os mesmos prêmios, que são um ingresso para o Topia 2019 e uma impressão 3D da peça produzida. Para saber mais sobre as regras, leia o edital oficial do concurso.

Victor Rossi  |  2D

Peça escolhida e motivação:

“A atual República de Benim, um país minúsculo na costa oeste da África, teve um papel importante na história do Brasil. Registros de cartas de diplomacia entre reis de Daomé (atual Benim) e o Brasil foram o pouco que restou após o incêndio no museu. Pior ainda: o rei Adandozan foi apagado da história de Daomé por seu sucessor (com um revisionismo histórico que o tornou num tirano) e pouco do que restava de seu legado estava no museu.

Considerando essa situação, junto com a importância da cultura africana no Brasil (e a falta de atenção que esta recebe) me propus a criar uma peça que retrate uma cena no reino de Daomé. O objetivo é tentar dar vida à história e transportar o público para Daomé no século XVIII.

O item escolhido é uma das bandeiras de guerra, que eram confeccionadas para contar histórias e feitos de batalhas.

A tradição de Daomé era oral, tornando a perda dos artefatos ainda mais nociva. A cena ilustra a transmissão de conhecimento através de uma guerreira que apresenta a bandeira ao rei, contando orgulhosamente sobre uma batalha que vencera e como decapitara seus inimigos (como registrado na bandeira). O evento ocorre do ponto de vista de um(a) daomeano(a) que senta junto a roda para assistir à performance da guerreira e contadora de histórias”.

c o m e n t á r i o   d o   a r t i s t a

“Este projeto me ajudou muito, não apenas na evolução artística, mas principalmente no direcionamento. Eu me diverti demais durante o processo e percebi que trabalhar com história, tentando dar vida a ela, contando histórias de pessoas e civilizações é algo que me traz satisfação como artista e como pessoa. Também é uma excelente maneira de aprender sobre outras culturas”.

Processo de criação:

(As imagens passaram de 5 em 5 segundos. Deixe o mouse nos espaços em branco.)

Mariana Livraes  |  2D

Peça escolhida e motivação:

PROJETO EM DUPLA 

“Desde o início, ao analisar o tema do concurso, tive vontade de criar uma ilustração que trouxesse um ar de esperança frente à catástrofe ocorrida. O artefato escolhido para isso foi o Beija-flor-brilho-de-fogo, e aconteceu de forma bem orgânica, por dois principais motivos: o primeiro foi o próprio nome da ave, que parece dialogar diretamente com o ocorrido e, por si, já soa com um tom esperançoso; o segundo foi o fato de se tratar de uma espécie tipicamente brasileira, o que, dentro de todo o contexto, me pareceu muito apropriado.

Uma vez feita a escolha da peça, tive a resolução de fazer os concepts para a imagem final, que deveria, definitivamente, ter uma boa dose de fantasia.

O beija-flor foi pensado para ser uma ave mística, com o poder de, ao entrar em contato com fogo, se transformar numa imensa criatura, alimentando-se dele; nesta forma, ele se torna um grande e poderoso avatar dos espíritos da natureza.

A índia, por sua vez, surgiu como uma companheira natural para o beija-flor, dada a rica e ancestral relação do índio com a natureza e com a própria figura da ave. Ela teria o papel de protegê-lo enquanto em sua forma padrão, e alimentá-lo com fogo quando necessário.

A imagem final, por sua vez, busca retratar essa relação da ave, já em sua forma transformada, com a índia, e seu papel de protetores da natureza e sua história. Nela, vemos a índia voando sobre as costas de seu companheiro, que foi transformado aos primeiros sinais do incêndio. Eles estão dando o seu máximo para resgatar o que puderem antes que o fogo se alastre; podemos ver a índia carregando uma urna funerária marajoara e usando um colar de madrepérolas, ambas também peças do acervo do museu, numa alusão e singela homenagem aos cientistas que durante o incêndio real entraram no prédio para salvar as peças que pudessem”.

Processo de criação:

(As imagens passaram de 5 em 5 segundos. Deixe o mouse nos espaços em branco.)

c o m e n t á r i o   d o   a r t i s t a

“A criação foi feita em parceria com o artista Pablo Murinelly de Souza Cunha.
A experiência de trabalhar em dupla foi nova para mim, e certamente muito enriquecedora. Pudemos trocar ideias, experiências e feedbacks, de forma a contribuir muito com as criações um do outro. Buscamos também, além da escolha da mesma peça, que houvesse um diálogo, ainda que pequeno, entre as imagens, usando alguns elementos e cores em comum para criar pequenos pontos de conexão”.

Roberta Paz  |  2D

Peça escolhida e motivação:

PROJETO EM DUPLA

Sobre a escolha do artefato: Ao visitar o museu em 2014, presenciei o grande interesse do público pela sala do Egito. Meu objetivo foi trazer este fascí­nio para um objeto que fosse mais próximo a nós, do Brasil ou América do Sul. Ao ver que as ‘tsantsas’ são descritas como cabeças mumificadas, decidi pensar em como seria se os índios jí­varos também tivessem a tradição de preservá-las em sarcófagos, como os egí­pcios.

Sobre a peça [a obra criada]: Os jí­varos (Peru/Equador) acreditavam que o espírito do morto em batalha poderia se vingar dos vitoriosos. Por isso, o ritual de encolhimento das cabeças impediria a vingança sobre a tribo. Enquanto os homens preparavam as cabeças encolhidas, as mulheres eram responsáveis pela produção dos sarcófagos.

Segundo a tradição jí­vara, apenas as mulheres poderiam trabalhar com cerâmica (“o barro é obtido da terra, e a terra é uma mulher”). As urnas eram feitas à mão, sem moldes, com um barro especial encontrado apenas nos rios.

Feições humanas eram esculpidas, padrões entalhados, e a tinta vermelha de urucum acentuava os detalhes. Por fim, as fibras de tucum faziam alusão à boca costurada das ‘tsantsas’. As cabeças eram penduradas à tampa com cordas. E os sarcófagos, enterrados ao centro da tribo, serviriam como amuleto para proteção e prosperidade.

Meu objetivo foi deixar a ideia a mais verí­dica possí­vel, como se pudesse, de fato, ter acontecido. A história da urna é costurada à história real dos jí­varos.

A crença sobre o encolhimento das cabeças, seu uso na proteção da tribo, e os objetos cerâmicos realizados apenas por mulheres são verdadeiros.
A produção e uso dos sarcófagos foram imaginados por mim. Os materiais usados, no entanto, eram mesmo comum aos jí­varos”.

c o m e n t á r i o   d o   a r t i s t a

“A oportunidade de trabalhar em dupla surgiu no final do meu processo. Trocamos ideias sobre como poderia ser aplicado no 3D. A Sabrina [dupla de Roberta] tem mais interesse em trabalhar com personagens, então concordamos em deixar o sarcófago integrado a sua cena, como um detalhe para storytelling. No 3D, gostaríamos de representar o momento da preparação da cabeça; no 2D, o sarcófago em que será inserida. As ideias sem complementam e o concept ganha contexto. Ela preferia fazer um modelo mais cartoonizado. Isso me influenciou a fazer uma renderização mais estilizada também, com elementos mais gráficos, de modo que nossas ideias se integrassem e pudessem pertencer a um mesmo mundo”.

Processo de criação:

(As imagens passaram de 5 em 5 segundos. Deixe o mouse nos espaços em branco.)

Allan Arello  |  VOTO POPULAR (EXCLUSIVO PARA CATEGORIA 2D)

Peça escolhida e motivação:

PROJETO EM DUPLA

“O nosso processo de desenvolvimento foi, inicialmente, de escolha do item do museu. Escolhemos alguns objetos e depois decidimos pelas Bonecas Ritxòcò das tribos Karajá.

Conversamos sobre as possibilidades de incorporar elas num universo. Foi feedback mútuo desde o começo, a gente se ajudou em todas as fases da produção e perguntávamos tudo o que podíamos sobre a peça um do outro até que tudo fizesse sentido pra tentar chegar num universo coeso com os personagens e a releitura proposta pra eles.

A razão da escolha do Artefato:

A primeira vista gostamos da estética das bonecas e achamos que tinha um bom potencial para criar uma história. Partimos para a pesquisa e descobrimos que elas representam cenas do cotidiano e dos ciclos rituais e ocupam papel fundamental na educação das crianças e na preservação da cultura milenar Karajá.

Nas aldeias, a boneca é dada às meninas como brinquedo e também como ferramenta de educação e de formação da identidade Karajá. Em geral, as meninas ganham um conjunto de bonecas, que as mulheres denominam como “família”. Essa família traz representações das diferentes faixas etárias das mulheres da aldeia, identificadas principalmente pelos ornamentos que usam. As bonecas também são comercializadas nas próprias aldeias ou em lojas de decoração e constituem importante fonte de renda para as comunidades.

Processo de criação:

(As imagens passaram de 5 em 5 segundos. Deixe o mouse nos espaços em branco.)

Elisa Moraes e Rodrigo Avila  |  3D

ESCLARECIMENTOS DA COMISSÃO ORGANIZADORA 

Os participantes Elisa G. de Moraes e Rodrigo S. de Avila, inscritos na categoria Arte 3D do Concurso de Arte do Topia 2019, obtiveram a mesma nota dentro dos critérios citados em edital, após revisão geral dos resultados e, por tanto, empataram em primeiro lugar.

Obra de Elisa Moraes
Obra de Rodrigo Avila

Peça escolhida e motivação para Elisa:

*O trecho abaixo é de um conto fictício criado pela artista.

” […] Nesse ponto, devo advertir: as palavras que se seguem, as quais descrevem com maior precisão possível os acontecimentos que se prosseguiram, são o motivo deste relato que vos tem em mãos, e jamais devem ser esquecidas pela Corte de Portugal, ou quaisquer reino que se atreva a colocar os pés naquelas terras selvagens novamente.

Diante de nós, naquele amplo cômodo real, encontrava-se apenas uma figura central: sentada no esplêndido trono Damé, um banco esculpido de madeira escura proveniente das árvores ancestrais que cresciam na região, entalhado por artesãos com padrões e formas complexas ao longo de sua base, estava a comandante das Amazonas.

Sua posição não fora informada a nenhum de nós, mas estava claramente estampado em sua altivez e postura que aquela mulher era uma líder, comandante daquelas ferozes guerreiras que há pouco tão facilmente nos subjugaram.

Apesar de guerreira, tudo em sua figura era digno de uma rainha: suas vestes, panos leves e sedosos decorados com cores fortes e padrões geométricos, penduravam de seu corpo cobrindo apenas parte de seu torso e quadril, escorrendo pelo trono como raízes que se estendem sob a terra. Ornamentos de prata e madeira também compunham sua figura, desde braceletes luxuosos em seus punhos até uma série de colares e contas envoltas em seu longo pescoço […]”

Peça escolhida e motivação para Rodrigo:

PROJETO EM DUPLA

“A peça escolhida do Museu Nacional foi a múmia Sha-Amun-en-su. Escolhi essa peça porque eu gosto muito do tema Egito antigo e meu sonho era poder ver de perto algo do egito antigo, e o fato do Brasil ter um sarcófago era bem legal e histórico. E a peça que mais me chamava a atenção era a Mumuia Sha-Amun-en-su, sempre soube dessa peça do museu nacional e esperava algum dia conhecer e ver de perto.

Infelizmente eu não consegui realizar esse sonho a tempo. Gosto da lenda que se encontra em torno dela, sobre Dom Pedro II ter ela em sua sala particular pois era seu artefato favorito e sempre conversar com ela quando estava sozinho na sala.

Infelizmente o sarcófago nunca foi aberto e foi feita apenas uma tomografia da peça e uma micro câmera que tentou entrar no objeto por uma fresta. Aparentemente era mesmo Sha-Amun-en-su no interior. Outro fato interessante é que dentro do sarcófado tinha um escaravelho coração, uma pedra verde de formato ovalado.

Ela foi uma das grandes e importantes cantoras do Templo de Amon, em Karnak, Tebas. Era uma Heset. Eu tentei dar a minha visão de como ela seria, por isso modelei como um portrait. Usei Zbrush para modelar ela e os ornamentos, a roupa fiz no Marvelous Designer, a textura da pele fiz no Mari e o render no Arnold/Maya.”

Processo de criação de elisa:

(As imagens passaram de 5 em 5 segundos. Deixe o mouse nos espaços em branco.)

Processo de criação de Rodrigo:

Fernanda Del Fiol  |  3D

Peça escolhida e motivação:

“Escolhi esta máscara, pois gostaria de trabalhar com algo que envolvesse a atual situação da população indígena no Brasil, que a cada dia vem sendo ignorada e barbarizada pelo Estado brasileiro.

A máscara é usada por diversas tribos durante o ritual “menina moça”. Ela representa os espíritos maléficos e as dificuldades que essas mulheres podem enfrentar.

A escolha de uma índia estar acompanhada da máscara é para representação dos constantes conflitos que elas têm vivido, devido a má atuação do país com seu povo”.

Processo de criação:

(As imagens passaram de 5 em 5 segundos. Deixe o mouse nos espaços em branco.)

Menções Honrosas | Categorias 2D e 3D

 

18 anos, cabeça nas nuvens e viciada em marca-páginas,
Prazer.

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