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Da Publicidade à Ilustração – Entrevista com Amanda Duarte

Se você nos acompanha a bastante tempo, provavelmente já ouviu falar da Limetown Studios! O casal carioca, com o estúdio de ilustração em Curitiba, já marcou presença em nossas lives, podcasts, gravou um workbox especial sobre pintura digital e até já participou do Revonow Conference, nosso evento online e gratuito de palestras sobre a área de artes digitais.

Todos os links de lives, podcasts e workbox que contam com a participação da Limetown Studios estão no final desta matéria 🙂

E para não perder o costume, para a matéria especial desta semana, conversamos um pouquinho com a ilustradora e concept artist Amanda Duarte, cofundadora da Limetown, sobre sua trajetória dentro da área.

Fale um pouquinho sobre o que você faz atualmente.

“Eu trabalho com ilustração e concept art com meu marido, Gustavo. Basicamente, trabalhamos no nosso estúdio home office, a Limetown Studios, prestando serviços de criação de imagens 2D. O que acontece, de forma simples, é um cliente chega na gente com um briefing (algo como instruções para o desenvolvimento de uma personagem) falando ‘vou fazer um jogo aqui e preciso criar personagens para ele. Preciso de um personagem que é um adolescente de 15 anos, moreno, que está na escola e que tá com a roupa tal’ e aí, o nosso trabalho, é executar a ideia daquele cliente, tanto criando personagens, cenários ou ilustrações.

Para publicidade, por exemplo, já criamos vários anúncios. Para games, a gente cria elementos que serão usados dentro do jogo, tipo um card (para cardgames), um tabuleiro, a capa de um jogo, enfim. Tudo relacionado a arte, desenvolvimento visual e ilustração (para diversos mercados diferentes).”

Mas nem sempre você trabalhou com ilustração, né?

Conte sobre sua experiência profissional.

“Eu e o Gustavo abrimos a Limetown como empresa em 2011, mas, nós já trabalhávamos juntos antes, em uma produtora de publicidade. Ele fazia 3D e eu, o tratamento e manipulação de imagens. Era totalmente outra coisa! Não era exatamente desenho ou ilustração. Então, antes disso [da criação da Limetown], como tínhamos nos conhecido em um curso de desenho no Rio de Janeiro, nós já trabalhávamos juntos. Fazemos trabalhos colaborativos (juntos) desde muito cedo.

Como a gente veio de outras áreas da comunicação visual (como eu falei, a gente trabalhou em uma produtora de publicidade antes e antes disso ainda, eu  trabalhei em agências de publicidade e o Gustavo era tatuador), a Limetown começou com intuito de trabalhar para publicidade, porque a gente trabalhava com isso e via que era o que movimentava grana. Sem falar que a gente gostava né!? Minha formação é em publicidade e o Gustavo fazia faculdade de publicidade na época também.

Mas, com o tempo, o que começou a acontecer foi que a gente prestava diversos tipos de serviço, que não eram só desenho e pintura, por exemplo. Foi como eu falei. O Gus sabia mexer com 3D, eu com manipulação de imagem, trabalhava com design gráfico também, com animação, sabe? A gente era meio iniciante em tudo e acabava que a qualidade do trabalho não era o nosso ponto mais forte, mas, nós conseguíamos oferecer um leque de serviços muito grande. Então, no início, o objetivo era trabalhar com ilustração para publicidade, mas essa era a menor parte do que a gente fazia. Nós prestávamos serviço de tudo quanto é jeito. A gente vazia logo para o Caldeirão do Hulkdesign de interface para jogo do lançamento do filme do Cavalheiros do zodíaco no Brasil. Nós atirávamos para tudo quanto é lado mesmo! E, por um tempo, isso foi bom para a gente, sabe?

Como era uma empresa nova, a gente já estava preparado para ter certas dificuldades de começar a ganhar dinheiro e se sustentar, mas, na verdade, foi bem tranquilo nesse sentido, justamente porque não faltavam ofertas de trabalho. Nós já tínhamos um certo networking o pessoal da área e um pouco de tração em redes sociais, e como a gente tinha muitas frentes para atacar, realmente não faltava. Focávamos bastante em quantidade, não necessariamente em qualidade. Então, de 2011 a 2014, cara, a gente trabalhou muito!

E assim… Era bom porque foi quando a gente meio que começou a morar juntos, conseguiu um apartamento, conseguiu um cachorrinho e tal. Foi uma escolha que a gente fez e estávamos conseguindo viver a nossa vida do jeito que a gente queria, e viver efetivamente de arte. Só que a rotina de freelancer começou a cansar muito. Tipo, até 2014 já tínhamos jogo lançado para playstationxbox, tínhamos trabalhado em milhões de aplicativos no ar, em um aplicativo de um livro infantil, que ganhou vários prêmios. Então assim, nós estávamos saturados, cansados, e sentindo que o nosso trabalho não estava evoluindo.

Como tínhamos feito muitos trabalhos, nós conseguimos juntar uma grana nesse tempo para chegar em 2015 e se dedicar aos estudos. Decidimos investir em cursos, estudos pessoais, investir em redes sociais, melhorar portfólio. Foi um divisor de águas onde pudemos começar a focar no que efetivamente a gente queria fazer, que era character design, concept art e ilustrações no nosso estilo.

E foi a partir daí que conseguimos começar a pegar clientes maiores e melhores. Por exemplo, de 2016 para cá, a gente trabalho com clientes que nunca imaginávamos que iam chegar. Nós trabalhamos em um quadrinho do Frozen, da Disney, com a Dark Horse, BlizzardMarvel. Foi legal ver que demorou um pouco, mas a gente conseguiu, agora, chegar em um ponto que é muito mais próximo do que o que a gente imaginava quando começou na área.”

Tem algo que você queria que tivessem te dito sobre ilustração, antes de entrar na área?

Considero que tive sorte por ter tido a orientação de um professor, o Ricardo Guimarães. Ele dava aulas em um curso lá na Barra, Rio de Janeiro (aquele que eu mencionei antes, onde conheci meu marido), e já era ilustrador atuante no mercado. Ele pôde nos ajudar bastante em relação à formas de trabalhar, mercado e etc. Ele foi como um mentor mesmo! Então eu não tenho muito como responder essa pergunta ~ risos ~ eu tive boas informações antes de começar a trabalhar com ilustração.
Eu gostaria, de repente, é que não tivessem me dito que ilustrador passa fome, que artista é aquele cara ferrado e que só trabalha por amor à arte! Eu nunca tive esse perfil, mas é algo que é propagado com uma certa frequência. E assim, como em qualquer outra profissão, se você for bom naquilo, for um bom profissional, se esforçar e correr atrás, é óbvio que dá para viver disso tranquilamente! Ainda mais hoje, com a internet, que dá para prestar serviço para o mundo todo.
Então eu gostaria de poder quebrar o paradigma de que artista tem que passar fome e ter dois empregos para sobreviver (nada contra isso! Inclusive, muitos artistas trabalham de dia com outras coisas e são freelas durante a noite) mas, se você quiser viver da sua arte, é super possível!”

Para quem não sabe o que quer fazer na ilustração, quais são os possíveis caminhos?

“Eu já dei alguns exemplos! Na Limetown, por exemplo, a gente não tem essa limitação do tipo ‘sou criador de personagens para animação’. Nós ainda atuamos em diversas áreas, mas, sentimos que grande parte do trabalho que aparece para a gente é com jogos mesmo.

Acho que tem um pouco haver, obviamente, com o tipo de trabalho que nós temos no portfólio (que é uma coisa que tá na moda para jogo agora), mas também, acho que é porque o mercado de jogos está crescendo cada vez mais. Tem mais espaço hoje em dia. Acredito que seja um dos mercados que está mais fervilhando tanto em termos de pagar bem, quanto de ter demandas de trabalho, no mundo todo né?

Fora isso, eu diria que publicidade, obviamente, é uma das que mais movimenta dinheiro. O único problema é que é um mercado muito instável. Como eu já disse, nós trabalhamos um tempo focado em publicidade e consideramos um mercado muito sacrificante. É tudo para ontem! É uma área que tem suas próprias peculiaridades. A gente acha difícil você depender só de publicidade, é muito volátil. Mas, é um mercado muito bom para um extra, sabe? A gente supre as nossas contas com trabalhos para games, editorial, livros e tal, e
quando entra algum job de publicidade, é uma grana legal para guardar nos nossos investimentos.
Outra área que é muito boa, é a editorial. Por exemplo, aqui no brasil, especialmente (eu nunca trabalhei com editorial para fora, então eu não saberia dizer), todos os anos essas editoras grandes de livros didáticos contratam muitos ilustradores. Nós trabalhamos um bom tempo para a Editora Moderna. Eles têm diversos tipos de trabalho envolvendo ilustração, como capas de livros, abertura de capítulos, ilustrações pontuais para descrever alguma coisa. Aí tem, por exemplo, livros que são para séries voltadas para um pessoal mais jovem, que é quando você tem mais liberdade para fazer ilustrações mais estilizadas e cartoonzinhas, e livros voltados para o ensino médio, por exemplo, que são ilustrações mais técnicas.
É legal trabalhar com isso porque tem uma demanda muito grande e uma coisa muito aberta de possiblidades! A área editorial um mercado que está sempre procurando gente nova e vale muito a pena. Sem falar que o mercado é um ovo e todos os ilustradores se conhecem.
Mas é claro que não é só isso. Tem muita coisa! Quadrinhos, animação… A gente pode até falar ‘ah, vou trabalhar com arte’, só que cada mercado tem uma peculiaridade diferente. Então assim, vale a pena dar uma olhada, uma pesquisada e ver qual deles se enquadra melhor com o que você gosta de fazer. Cada área exige um conhecimento teórico específico e, às vezes, eles podem não agradar e ser o suficiente para você não gostar de trabalhar na área.”

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18 anos, cabeça nas nuvens e viciada em marca-páginas,
Prazer.

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