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A linguagem e a estrutura de câmera em Divertidamente (Parte 1)

A LINGUAGEM E A ESTRUTURA DE CÂMERA EM DIVERTIDAMENTE (Parte 1)

Clique no link para ler o original (em inglês): Camera structure and language within Inside Out

Senão todos, a maioria dos elementos de filmes narrativos e de produção de vídeo são pensados em função do enredo. A cenografia cria figurinos e ambientes críveis. A iluminação pode alterar o clima de uma cena, e a sonoplastia é capaz de construir suspense ou drama. Numa produção bem realizada, todos esses elementos trabalham juntos para contar uma história.

A Cinematografia funciona do mesmo jeito. A definição dos movimentos de câmera, da fotografia ou mesmo dos tipos de lentes escolhidas, são decisões impactam a maneira como o público vai reagir e entender a história e os personagens.

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O diretor de fotografia da Pixar, Patrick Lin, explicou recentemente em uma SIGGRAPH Talk como ele e sua equipe de layout ajudaram a desenvolver a estrutura de câmera de Divertidamente. Lin define estrutura de câmera com “uma maneira de organizar todos os elementos visuais de um filme em algo coerente e que sustenta a história e as emoções dos personagens”. Ele também explicou que a estrutura de câmera é constituída de 3 partes:

  • Linguagem de câmera
  • Progressão de escala
  • Progressão de Intensidade Visual

Entender a abordagem da estrutura de câmera feita pela Pixar pode te ajudar a aplicar estruturas similares nos seus próprios projetos, sejam eles de animação ou de live action. Recentemente, o blog Digital Tutors teve a possibilidade de conversar com Lin sobre a estrutura de câmera de Divertidamente. Você pode ouvir o podcast (em inglês) clicando aqui ou pode continuar lendo para ter uma sinopse da discussão com Patrick Lin.

LINGUAGEM DE CÂMERA

A linguagem de câmera utilizada essencialmente determina a maneira como sua câmera vai se comunicar ou “falar” com o público. Por exemplo, sua linguagem de câmera pode depender de um comprimento de lente (lens length) ou um tipo específico de shot (por exemplo: médio, close-up, etc.). Como a história de Divertidamente se passa em dois mundos diferentes (no caso: o mundo interno em oposição ao mundo externo), Lin quis que a liguagem de câmera se aprofundasse nesse contraste. Enfatizar essa distinção também ajudaria o público a entender a transição de um mundo para o outro.

Lin e seu time fizeram o design de duas linguagens de câmera diferentes, uma baseada na perfeição e outra levando em conta a imperfeição. A ideia era mostrar que o mundo externo no filme era real e, por isso, deveria parecer imperfeito e ter falhas. Ao contrário, o mundo interno da mente de Riley, a personagem principal, é caracterizado como virtual e imaginário e, por isso, perfeito.

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Comparação das duas linguagens de câmera de Divertidamente

Mundo externo

O time da Pixar inseriu falhas nas cenas do mundo externo (São Francisco e Minnesota) incorporando distorções de lente e erros de focalização. Além disso, eles usaram movimentos de câmera mais orgânicos e cinéticos, como pareceriam se fossem feitos com steadicam ou handheld. Os caminhos percorridos pela câmera também foram menos determinados, fazendo com que ela parecesse percorrer o espaço sem um curso definido.

Mundo interno

Em contraste, o mundo mental de Riley era visto com menos distorção de lente e mais foco. Mais que isso, os movimentos de câmera eram muito parecidos com uma gravação em estúdio. O resultado foi geralmente o de um dolly, track, boom ou crane shot, com um movimento aparentemente mais mecânico e previsível.

PROGRESSÃO DE ESCALA

A progressão de escala é o tamanho como o mundo é representado a partir do ponto de vista de um personagem. De novo, a diferença no tamanho do mundo interno e externo se alterna a medida em que a história progride. Para distinguinr a percepção de escala dos diferentes espaços, Lin e sua equipe usaram composição, enquadramento e fortes linhas horizontais e verticais para criar a impressão de espaços abertos e fechados, respectivamente.

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Fortes linhas horizontais criam a sensação de abertura nessa cena com a família feliz.

 

No começo do filme, Riley está crescendo em Minnesota. O mundo dela é grande, amplo e aberto. Fortes linha horizontais estruturam essas cenas enquanto shots longos a mostram cercada por muito espaço. Entretanto, depois de se mudar para São Francisco, o mundo mais urbano dela se torna menor e mais fechado e linhas verticais a emolduram constantemente. Conforme a intensidade emocional das cenas vai aumentando, essa estratégia de enquadramento vertical também aumenta, comprimindo-a a compartimentos cada vez menores até o clímax no ônibus, quando ela está completamente sozinha.

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Várias linhas verticais compõem a cena de um dos momentos mais intensamente emocionais de Riley.

Em oposição direta, o mundo de Alegria começa bem pequeno, restrito à Sala de Comando. É só quando ela e Tristeza são sugadas pra fora da sala que o mundo dela se torna inacreditavelmente grande, espaçoso. De maneira similar ao mundo externo, o mundo de Alegria fica cada vez maior até que a história atinja o clímax, quando ela cai no Poço do Esquecimento. De acordo com Lin, esse momento contém o plano mais aberto do filme todo.

Para continuar lendo a análise de Divertidamente, é só continuar para o post seguinte, sobre a Progressão da Identidade Visual do filme!

Texto traduzido do site Digital Tutors por Gabriela Ribeiro. Todas os direitos de imagem são reservado à Disney® e à Pixar®. As imagens deste post estão sendo utilizadas com fins educacionais.

Gabriela cuida da produção, revisão e tradução de todos os textos da escola. Mesmo sendo formada nas boas literaturas, ela compartilha de todas as nerdices que rolam na Revolution. Além de ser irmã do Gustavo (professor de 3D mais amado de Curitiba), ela curte séries e filmes e não resiste a nenhum tipo de chocolate.

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