The Art Of

Paul H. Paulino – Do Cinema ao 3D

Em 2016 nós fizemos uma entrevista com o Paul H. Paulino, abaixo nós transcrevemos a parte em que Paul conta como foi o início da sua trajetória. Como a sua paixão pelo cinema o levou até o 3D.

Você também pode conferir a entrevista completa através dos links: primeira parte aqui e a segunda parte aqui.

Você sempre quis ser Artista 3D?

Na verdade, quando eu era menor meu sonho sempre foi ser Diretor de Cinema. Eu era apaixonado pelos filmes da Disney e no colégio em Almenara, Minas Gerais, fui incentivado pela minha professora a fazer um filme, que eu estava muito animado em fazer, Rockfeller City, depois desse trabalho eu realmente me dediquei a virar um Diretor de cinema.

O que Rockfeller City têm de marcante na sua trajetória?

Eu nasci no interior de Minas Gerais, então falar de cinema, arte e tudo relacionado a isso era bobagem para quase todos que viviam lá. Eu tive grande dificuldade em convencer os meus colegas a produzir esse filme, mas eu estava muito animado e não ia desistir, escrevi o roteiro mostrei para eles e ficaram muito animados para fazer. Quando fui atrás de patrocínio (Com 17 anos, primeiro filme da vida e fui atrás de patrocínio, que ideia maluca não é?), eu fui em vários lugares e fui muito desmotivado por todos, falavam que aquilo era a maior besteira. Mas se você não fizer aquilo em que acredita você não consegue nada. O filme pode ter ficado bem tosco, mas eu me dediquei muito: figurino, iluminação, cenário, etc. E eu acredito que pra um primeiro filme estava ótimo. Nós apresentamos ele no colégio e tivemos muitos aplausos, então depois de tanta desmotivação foi muito bom ver toda aquela aceitação. Depois desse dia eu comecei a editar vídeos.

Editar vídeo? Você foi para área do cinema na sua faculdade então?

Não, fui fazer publicidade, mas não queria ser publicitário. Eu só não fiz uma faculdade de cinema naquela época, porque todo mundo falava que eu iria passar fome, não ia achar emprego, e publicidade eu achava que era um caminho mais seguro, pois eu ainda estaria mexendo com edição de vídeo e ia dar um jeito de continuar meu sonho. Não importa o caminho que você seguir, desde que o destino esteja certo.

Como foi sua experiência na faculdade?

Foi um choque, porque eu vim do interior de Minas, de uma cidade onde ninguém fazia filme, cinema nem nada, eu era o único lá, e quando eu entrei na faculdade todos faziam aquilo que eu fazia, e faziam bem melhor, foi uma quebra de ego muito grande para mim, que me ajudou bastante no decorrer da minha profissão.

E o que você tirou de bom da sua faculdade?

Tudo que você faz é uma bagagem para sua carreira. Quando eu entrei em publicidade eu abracei todas as oportunidades que vieram pela frente. Fiquei muito ligado em produção e pós-produção, aprendi muito com meu colegas e veteranos. Esses contatos fizeram com que eu conseguisse trabalhos, tanto que tive uma oportunidade em trabalhar na Emissora Record e obviamente abracei.

Trabalhar em uma emissora também te ajudou?

Eu finalmente estava no meio que eu sempre quis. Trabalhei com atores, câmera, iluminação me esforcei muito naquilo, mas não queria virar um zumbi. Empresas grandes te dão uma certa comodidade quando você começa a trabalhar, só que chega em um ponto em que você não aprende mais coisas novas e tudo passa a ser feito de forma automática. Se algum dia alguém te falar que você é o melhor profissional da empresa, demita-se, por que ela não tem mais nada a oferecer, sempre busque mais conhecimento.

Depois de ver que não queria ser Diretor o que você fez?

Eu nunca fui uma criança artista, eu não desenhava, não pintava. Porém eu sempre admirei quem fazia isso, então eu comecei a desenhar, com 20 anos, bem atrasado. Mas se eu passei por toda aquela desmotivação do Rockfeller City, porque eu não conseguiria vencer as dificuldades do desenho?. Comecei a desenhar e praticar todos os dias e comecei a gostar bastante da área.

Foi depois de tudo isso que você começou na área da Arte?

Foi uma grande trajetória, na contramão, porém finalmente eu comecei a andar pra frente. Comecei a fazer todo o tipo de curso que aparecia. Fiz vários Workshops com ótimos artistas que hoje são meus amigos, como o Pedro Conti e Tiago Hoisel, Glauco Longhi, (…). Foi muito decepcionante no começo, porque eu não fazia a mínima ideia do que eu estava fazendo nesses workshops, mas eu sabia q eu queria estar lá. Eu não tirei nada de técnico nesses primeiros Workshops, mas aprendi muito de qual caminho eu deveria seguir. O Glauco mesmo me disse algo que eu levei pra minha vida inteira “Se faça um artista aqui no brasil, depois vá para fora. As pessoas vão ver um grande diferencial em você.”, porque supostamente existem muitos casos de artistas que foram para fora e voltaram piores.

E quando você começou a trabalhar com o 3D?

Eu entrei em um estúdio depois que saí da Emissora, justamente na área do 3D, mas no final mal mexia com isso. Usava o After Effects nas produções dos efeitos do filme, e o software era muito complicado de se mexer. Nesse meio tempo eu encontrei uma escola em Vancouver de modelagem, a Think Tank’s, onde vários profissionais do ramo tinham estudado lá então eu juntei um dinheiro e abracei essa outra oportunidade que a vida me deu.

18 anos, cabeça nas nuvens e viciada em marca-páginas,
Prazer.

Top