Dicas de Estudo

Os 10+: Artistas de Pin ups

Desde a década de 1880, o estilo pin-up têm aparecido em revistas, calendários e cartazes, mas foi a partir da década de 40, com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que o estilo ficou conhecido, quando os soldados foram conquistados pelas artes e fotografias de mulheres belas. O nome pin-up vem dessas garotas dos calendários que os homens destacavam e colavam na parede e que serviam como “distração” das atrocidades da Guerra. As garotas também foram pintadas na fuselagem de aviões militares da época, sendo chamadas de nose art (ver imagem abaixo). Essa prática evoluiu para expressar a individualidade muitas vezes oprimida pelos padrões militares, evocar memórias da vida em casa e em tempo de paz e como uma espécie de proteção psicológica contra o estresse da guerra e a probabilidade de morte.

Original risqué nose art of B-24 Liberator #4111761 ‘The Squaw’ ‘Sleepy’ – Source: www.americanairmuseum.com

As pin ups representam um padrão masculino (ou social) de beleza. Elas estão geralmente em poses sexys ou engraçadas, e exibem uma estética deslumbrante para a época. À medida que o consumismo aumentava, especialmente depois da Guerra, imagens provocantes, principalmente usadas com intuito comercial, estavam em toda a parte, afirmando uma ideia de que “sex sells”.

É importante destacar que essas modelos e ilustrações receberam muitas críticas, pois em um período extremamente moralista, mostrar as pernas ou ser fotografada nua era considerado um ato indecente para a sociedade. Entre as celebridades que ganharam destaque como pin-ups nesse período, temos: Greta Garbo, Betty Grable, Rita Hayworth e Sophia Loren. A partir dos anos 60 e 70, com a liberação sexual, as propagandas começaram a ser mais agressivas e o nu e o sexo explícito começaram a ficar mais evidentes. Atualmente, o estilo pin up está sendo resgatado pelos artistas para criar um ar misterioso e mais comportado sem perder a sensualidade.

Agora que já conhecemos um pouquinho sobre o assunto, que tal conhecer alguns artistas (antigo e atuais) para você se inspirar? 🙂

A mexicana Renée é animadora e ilustradora, trabalha profissionalmente há 07 anos, já estudou em escolas de artes digitais como a VanArts e Think Tank, ela se mudou para o Canadá porque não havia realmente nenhuma escola de animação adequada no México naquela época e hoje em dia ela ainda mora no país.

Ela se diz cada vez mais obcecada com luz, valores, cor e composição em seus projetos.

Atualmente ela é artista freelance. Trabalhou em vários projetos de animação para curtas-metragens, longas-metragens, tutoriais para revistas, capas de quadrinhos e personagens para publicidade. Também tem ministrado oficinas de pintura digital e dando palestras há quase dois anos.

Em 2012, ela participou de um hangout no pencil kings sobre encontrar sua carreira e estilo na arte e se você precisa daquele empurrãozinho é muito interessante ouvir esta conversa.

Você pode escuta-lo aqui:

 

Elvgren é o mais famoso ilustrador de Pin-Ups do século XX. Iniciou sua carreira profissional em meados dos anos 1930 a qual durou mais de quarenta anos, Elvgren foi um grande ilustrador americano clássico, também conhecido por suas peças publicitárias. Era um mestre quando se tratava em retratar o ideal feminino americano. Suas pinturas estão carregadas de glamour e mulheres fatais. Assim como vários artistas da época ele costumava fazer sessões de fotos de modelos com as posturas que necessitava e convertia em suas ilustrações  Pin-Up.

Ele estabeleceu-se como o artista favorito de pin-up e tinha fãs em todo o mundo. Só na Coca-Cola ele trabalhou por vinte e cinco anos como ilustrador. Os temas da Coca-Cola de Elvgren retratavam o sonho americano de um estilo de vida seguro e confortável, e suas conhecidas ilustrações para histórias de revistas muitas vezes capturavam cenas atemporais que refletiam as esperanças, os medos e as alegrias de seus leitores. A habilidade de Gil Elvgren em capturar o espírito e a sensualidade da beleza feminina americana foi incomparável. Suas pin-ups eram criadas a partir fotos de garotas reais em situações reais e cotidianas, Às vezes exagerados, mas eles sempre funcionam. Na lista de suas referências estão os artistas Haddon Sundblom e  John Singer Sargent.

E se você acha que na época só se sobressaiam artistas do gênero masculino, então está muito enganado, A talentosíssima Zoe Mozert nasceu em 1907 e era uma ilustradora de pin ups e também servia de modelo para suas artes e também para seus colegas de profissão. Para fins de curiosidade deixo aqui também outras mulheres artistas, não menos talentosas, como Pearl Frush,Joyce Ballantyne Brand.

Zoe estudou com o famoso ilustrador Howard Pyle, e em 1932 mudou-se para Nova York para pintar pin ups para capas de revistas. Em seus trabalhos destaca-se o uso com pastel,  técnica que aprendeu com seu mestre e amigo Rolf Armstrong, grande artista de pin-ups . Na década de 1950, Zoe fazia parte do famoso “Big Four”, junto com Gil Elvgren, Earl Moran e Rolf Armstrong.

Se quiser saber mais sobre as artistas mulheres da época, clique aqui 

Nascido em 1896 no Peru, Alberto Vargas era filho de um fotógrafo de renome, em seu primeiro encontro com os Estados Unidos hipnotizado por multidão de trabalhadoras elegantemente vestidas, sofisticacão e beleza o jovem artista decidiu que dedicaria sua vida glorificando a garota americana.

Em 1927, Vargas foi trabalhar para o departamento de arte da Paramount Pictures em Nova York e foi escolhido para criar a obra original para o filme Glorifying the American Girl, que estava sendo produzido por Ziegfeld. Vargas criou obras de arte publicitária que, além da distribuição geral, também apareceu no Paramount’s 20th Anniversary Book, publicado em 1927 para as estrelas e executivos da empresa.

Os primeiros trabalhos de calendário de Vargas foram duas pinups em pastel entre 1937 e 1939. Em 1939, ele se tornou um cidadão americano em 1939, no mesmo ano em que recebeu um convite da revista Esquire. Vargas foi imediatamente contratado como substituto de George Petty , seu trabalho vendeu melhor do que qualquer outro publicado até então.

Vargas tornou-se conhecido mundialmente. Pintou estrelas de Hollywood, como Jane Russell, Ana Sheridan, Ava Gardner Linda Darnell, Marlene Dietrich, Loretta Young, e Marilyn Monroe. Em 1960 recebeu um convite pessoal de Hugh Hefner, fundador da revista Playboy, ele chegou a pintar 152 obras, alguns consideram esse o auge da sua carreira artística.

Quando a esposa de Vargas faleceu em 1974, o artista perdeu muito seu interesse pela pintura e pela vida e trabalhou em pouquíssimos projetos.Ele morreu em 30 de dezembro de 1982, em Los Angeles.

Nascido em 1911, Bryers é reconhecido por ilustrar mulheres fora do padrão de beleza da época, em meados da década de 1950, ele começou a produzir sua coleção mais famosa: Hilda é sua personagem principal e  por assemelhar-se a uma mulher real , suas poses também são reais e não parecem desconfortáveis só para ser atraente ao olhar masculino como outros artistas fazem, Hilda é  frequentemente representada usando apenas um biquini e mostra-se despreocupada e  feliz com  seu corpo, as vezes aparenta até um pouco desajeitada, tornando-a ainda mais encantadora , é impossível não sorrir ao olhar para as ilustrações do artista.

Bryers criou cerca de 250 imagens de Hilda. Às vezes usava modelos vivo, mas muitas vezes desenhava de sua imaginação, sem um modelo e Bryers considerava que eram seu melhor trabalho. Quando ele teve a ideia de levar Hilda aos calendários  uma dúvida surgiu: Será que iria vender um calendário com uma garota gorda? Ele levou sua série para Brown & Bigelow, até então o maior fabricante de calendário do país, e eles relutantemente colocaram na linha e pensaram que iria durar um curto período de tempo, mas a coleção durou 36 anos. Bryers faleceu em 2012, meses antes de completar 101 anos.

Nascido e criado em São Paulo capital, Felipe estuda desenho desde a sua adolescência, trabalhou com publicidade e atualmente está no mercado mobile, trabalha em uma produtora de jogos em São Paulo. Estudou 3D e pintura Digital (onde teve aulas com Riamonde, nosso professor de pintura digital). Seu grande foco artístico é para a arte de Pin-ups e suas fanarts de personagens da Disney e da DC fazem muito sucesso!

Em 2016, Felipe realizou uma entrevista para o canal do youtube da escola revolution, nela ele afirma que em seu trabalho a cor e suas misturas são extremamente importante para a ilustração, e existe uma evolução que o artista só aprende com o tempo e a repetição.

Suas referências são as artes de mangá, os artistas bruce timm e dean yeagle, mucha e animações 2D da disney.

Bruce Timm  é muito conhecido por Batman: the Animated Series (1992), seus personagens redefiniram o gênero de super-heróis animado TV e filmes, ele  trabalha no campo da animação há quase três décadas, ele também é completamente autodidata, nunca tendo recebido qualquer educação artística formal.  Focou a maior parte de sua carreira no universo animado de DC para Warner Bros. Animation.

Bruce Timm ganhou duas vezes o prêmio Eisner, a principal premiação de HQ dos Estados Unidos. Seu primeiro foi em 1994 para a arte em Batman Adventures: Mad Love, que ganhou para “melhor história individual” e no ano seguinte, ganhou o mesmo prêmio com um especial de Natal do Batman (“Batman Adventures Holiday Special”).

Mas além de todo seu trabalho importantíssimo com animação, Timm também ilustra pin-ups, ele tem uma série de livros que retratam essas personagens, O estilo do artista é bem marcante, minimalista e baseado em comics books dos anos 50 e 60.

Serge Birault é um artista francês freelancer que vive em Toulouse, França, trabalha na área de pintura digital há mais de 10 anos. No DeviantArt, Serge é conhecido como PapaNinja. Seu talento e qualidade técnica é reconhecido no mundo todo por suas pin-ups estilizadas. As protagonistas do seu trabalho tem geralmente um tom engraçado, sexy e perigosas.

Ele já fez trabalhos para Gameloft, WB Games Montreal Inc. e Ubisoft. Suas principais referências são Gil Elvgren e Hajime Sorayama, artistas tradicionais como Jean Auguste Dominique Ingres e William Bouguereau , caricaturistas  como Sebastian Krüger e artistas de pin-up cartoon como Loopydave. O estilo que marca as artes de Serge é o modo que ele exagera as proporções de suas pin-ups: olhos grandes, bocas grandes e cintura fina. Também utiliza luzes complexas, cores diferentes, expressões faciais e corporais incomuns e materiais reflexivos.

Dean é um cartunista americano, nascido em 1950 nos EUA, começou na área de animação na Filadélfia, PA. Depois de se casar com Bárbara (também artista e musicista) e o nascimento de sua filha Becky, a necessidade de dinheiro real levou-os para Nova York, trabalhou como designer, animador, livros infantis e também como diretor. Em 1986, com a sócia Nancy Beiman abriu sua própria companhia de animação, Caged Beagle Productions, produziu, dirigiu, projetou e animou inúmeros comerciais de TV. Mas hoje, Dean Yeagle está nessa lista por suas ilustrações de pin-ups, ele trabalhou com artes para Playboy Magazine, retratando sua pin-up mais famosa Mandy.

A simpática Mandy foi criada para a revista Playboy, e depois teve seu reconhecimento fora dela também, para a internet e para artbooks e galerias.

O freelance character artist alemão Simon Eckert e estudou Design gráfico na instituição Lette Verein Berlin. Ele tem indiscutivelmente um talento especial quando se trata de criar personagens femininos da cultura pop. O artista também possui uma série incrível sobre várias mitologias como a grega, celta, entre outras, caracterizadas no estilo Pin-up. Suas ilustrações e pinturas gloriosas são uma mistura maravilhosa da fantasia, da ficção científica e da arte do pin-up

Suas principais referências são: Claire Wendling, Adam Hughes, Paul Bonner, Eugène Delacroix, Xaime Hernandez e Gil Elvgren. Enquanto não trabalha em pinups, Simon mantém-se ocupado criando arte conceitual para jogos, recentemente, Simon foi responsável pelas artes dos cards e skins no jogo SMITE. fornecendo desenhos para franquias como a Paizo, bem como criando ilustrações para inúmeros card games.

Menção honrosa para Rosie the Riveter

Com certeza todos nós conhecemos o icônico poster ”We Can Do it”,certo? Essa moça foi carinhosamente chamada de  Rose the riveter e este poster foi usado massivamente pelo governo dos estados Unidos e pelos grandes proprietários de fábricas  para aumentar o trabalho em equipe e aumentar a produção.

Rosie, foi a representação das mulheres dos anos 40, que ingressaram no mercado de trabalho pesado, pois os homens que eram a grande maioria da força de trabalho estavam lutando na guerra e era necessário suprir a demanda de mercado nas indústrias, no comércio, transporte e nos demais segmentos da economia. E deu certo: nos EUA, em 1890, a porcentagem total de mulheres na força de trabalho era de 17% e em 1944, já era 35,4%.

A primeira Rosie the Riveter que conhecemos foi criada em 1943 por J. Howard Miller e não tinha qualquer  conexão com alguém chamado Rosie. A arte foi criada para uma empresa específica, a Westinghouse Electric Company. A intenção era colocar este poster por um curto período de tempo na fábrica, mas a arte se popularizou entre as trabalhadoras.  Pouco tempo depois, outra arte foi criada por Norman Rockwell, para ser exibido na capa da Saturday Evening Post, uma revista semanal popular nos EUA. Rockwell, possivelmente ouviu a canção de “Rosie the Riveter”, escrita por Redd Evans and John Jacob Loeb e gravada pelo grupo  The Four Vagabonds, e caracterizou sua ilustração com  o nome “Rosie” em sua Lancheira.

E se você gosta desse tema, tem um  projeto bem legal com várias entrevistas de mulheres fortes da época, que são chamadas de “Rosies”. Elas comentam sobre seus cargos que eram visto como de “empregos masculinos”  nas indústrias de automóveis, construção naval, fabricação de aeronaves, fabricação de equipamentos elétricos e transporte.

A experiência de trabalho em plena guerra foi transformadora para essas mulheres. Ela mudou a maneira como elas se consideravam, incutiram confiança, levando-os a questionar a idéia de gênero no mercado de trabalho e proporcionando um sentimento de orgulho e realização que permaneceu com elas ao longo de suas vidas. Esta pode ser uma das razões que a maioria destas Rosies continuou a trabalhar fora de casa. Muitas foram para a faculdade  e tiveram carreiras muito interessantes. Além disso, as experiências variaram. As mulheres afro-americanas enfrentaram desafios particulares com a discriminação racial. Classe, etnia e orientação sexual também definiu as experiências de guerra e pós-guerra de muitas dessas mulheres fortes.

http://dlib.nyu.edu/rosie/interviews

 

Livros com Pin Ups

E como nós sabemos que você está louquinho para comprar livros sobre pin-ups, separamos aqui 6 livros para você ter em sua casa <3 :

VGREN – THE COMPLETE PIN UPS

Autores: Meisel, Louis K, Martignette, Charles G.
Editora: Taschen/Paisagem
Páginas: 272
ISBN: 3836503069

Para comprar: Livraria Cultura

1000 Pin-up Girls

Autores: Harrison, Robert
Editora: Taschen/Paisagem
Páginas: 576
ISBN: 9783836505055

Para comprar: Livrarias Cultura

Pin-Up – 365 a year in pictures day by day

Autor: Hanson, Dian
Editora: Taschen/ Paisagem
ISBN: 3836539535

Para comprar: Livraria Cultura

History of Pin-Up Magazines, 3 Volumes

Autor: Hanson, Dian
Editora: Tashen do Brasil
Páginas: 816
ISBN: 3836539705

Para comprar: Livraria Cultura

THE ART OF PIN-UP

Autores: Meisel, Louis K.
Editora: Taschen do Brasil
Páginas: 546
ISBN: 383653570X

Para comprar:  Livraria Cultura

the great american pin-up

Autores: Martignette, Charles G.
Editora: Taschen do Brasil
Páginas: 280
ISBN: 383653245X

Para comprar: Livraria Cultura

Tudo livrão maneiro, né? Aqui na Escola R.evolution a gente tem uma biblioteca com esses e vários outros livros maravilhosos pra galera estudar (se você já é aluno, não pode deixar de pegar, hein). Se quiser conferir o resto dos nossos livros, segue a gente no GoodReads!

18 anos, cabeça nas nuvens e viciada em marca-páginas,
Prazer.

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