Dicas de Estudo

Qual é a tua obra?

Começo citando o título de um livro do Mario Sergio Cortella, no qual costumo pensar bastante:

 

Qual é a tua obra?

Ou melhor: qual é a minha obra?

Acredito que muitos de nós, em diferentes momentos e estágios da vida, temos nossos momentos introspectivos, quando analisamos nossa própria vida, evitando cair em depressão ou algo do tipo. Acho esses momentos muito importantes para sairmos da rotina do nosso dia a dia de cumprir tarefas e começarmos a olhar pra dentro do nosso ser e questionar qual o sentido de tudo isso aqui fora.

Pra resumir, trabalho na área de ilustração e pintura digital a um bom tempo. Comecei com quadrinhos, migrei pra publicidade. Crucificado por alguns na época, continuei nesse caminho até o presente momento. Mas, de tempos em tempos, esse questionamento me vem à mente.

Há alguns anos comecei a dar aulas, meio a contragosto. Não era exatamente o que eu queria, mas fui em frente. Acho que a maior barreira era o fato de não me sentir apto à tarefa. Os anos foram passando e tomei gosto pela coisa. Me dei conta de que minha jornada tinha realmente começado quando entrei numa escola. Comecei a encontrar um padrão interessante e percebi que, por mais que eu incentivasse o caminho auto-didata, as escolas e cursos tinham um papel muito importante na trajetória das pessoas. Não somente pelo aprendizado em si, mas pela questão do ambiente e contato com as pessoas. A chamada egrégora (aquela força espiritual/criativa originada por meio da soma de esforços coletivos).

Como muitas vezes somos solitários nesse caminho, esse contato faz muita diferença. Eu também via isso acontecendo com muitos de meus alunos. Aí aquela chama lá dentro começou a acender. De novo: qual é a tua obra?

Levou tempo, investimento, uma boa dose de coragem e apoio dos amigos e envolvidos pra caminharmos e finalmente termos nosso espaço dedicado ao ensino. Não somente ao ensino mas também aos encontros, conversas, reuniões, confraternizações. Um lugar para expandir a consciência e ver que é possível sim trilhar outros caminhos. Eu trilhei esse caminho e vou dizer que se eu, com todas minhas neuras e inseguranças, consegui, qualquer um que tenha um mínimo de aptidão, vontade e disciplina consegue. Pode levar tempo, mas consegue.

Minha obra no momento envolve burocracias, ajustes, reuniões, atas. Ninguém disse que ia ser fácil. Mas quanto maior o desafio superado, maior é a sensação de dever cumprido. Missão dada, missão cumprida.

Hoje, o mais importante disso tudo é olhar pra trás e ver o caminho que percorri, as pessoas que conheci, os amigos que fiz, os lugares em que frequentei (essa parte dá quase uma música), até culminar neste ponto no tempo e no espaço. Meus passos me trouxerem até essa obra. Essa é a minha obra.

E pra você, qual é a tua obra?
Reflita pelos próximos 5 minutos, antes desse texto ser mais um dos que circulam na grande rede.

Top