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Quero Trabalhar com Jogos Digitais! – Parte 1

De acordo com um estudo não oficial¹ do Ministério da Cultura, atualmente, existem cerca de 375 empresas brasileiras produzindo games – um crescimento de aproximadamente 180% em comparação à 2014 (ano de realização da primeira edição do Censo da Indústria Brasileira de Jogos), que somou 133 produtoras.

Falando assim pode não parecer nada de mais, mas, na verdade, este dado representa uma grande oportunidade para quem pretende construir sua carreira dentro do mercado de jogos, principalmente, por mostrar um panorama positivo de como a indústria poderá estar no futuro.

Pensando nisso, na matéria especial desta semana (que, na verdade, se estenderá também para a próxima), vamos conversar um pouco sobre a área de jogos digitais em si, começando com a abordagem sobre:

  • O que são os jogos digitais
  • Como o mercado atual está dividido
  • O que isso representa na prática
¹O segundo levantamento do Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais tem previsão para ser divulgado oficialmente ainda este mês (agosto/2018).

O que são Jogos Digitais?

Vamos tentar não nos aprofundar muito no conceito de jogos digitais. Neste momento, basta ter em mente duas coisas: 1) Jogos digitais são caracterizados pela relação homem-máquina e 2) existem requisitos e elementos que caracterizam os jogos como tais.

Para entender isso melhor, é importante compreender a fala de Paul Schuytema, autor do livro “Design de Games: Uma Abordagem Prática”. Para ele, os jogos digitais podem ser entendidos como atividades lúdicas compostas por ações e decisões, limitadas por um conjunto de regras e um universo ficcional controlado por computador, que resultam em uma condição final. Ou seja, são todos os jogos que precisam tanto da tomada de decisões/controle dos movimentos por parte do jogador (humano), quanto de um sistema dentro de uma máquina (seja ela um computador, um celular ou um console), para acontecer.

O jogo The Sims é um exemplo de como é a relação home-máquina, dentro dos jogos digitais. (Créditos de imagem: site The Refined Geek)

E não é apenas isso! Para ser considerado um jogo digital, alguns elementos devem existir, como a presença de um sistema sólido de regras e do distanciamento com a realidade (ficção). Seguindo a linha de pensamento do game design e escritor norte americano Chris Crawford, estes elementos são quatro: A representação, a interação, o conflito e a segurança.

A representação é a concepção sobre a realidade do jogo, comumente deixando algumas regras e objetivos de forma implícita. A interação, por sua vez, pode ser considerada uma forma mais completa da representação, permitindo que o jogador interfira na realidade do jogo, alterando-a.

Já o conflito e a solução, surgem como consequência da interação. Pense no conflito como um obstáculo que o impede de concluir a missão que o jogo propõe, e a segurança como uma âncora que permite que todas as dificuldades e elementos sejam sentidos, sem interferir na nossa realidade. Entenda melhor estes elementos com o exemplo abaixo.

E como é esse mercado?

Apesar da definição, engana-se quem pensa que os jogos se encaixam apenas na área de entretenimento. A realidade é que, por ser um mercado que está conquistando o seu espaço, diversos outros setores, como educação e publicidade, estão investindo nos jogos digitais como uma nova forma de conquistar o seu público. Veremos agora como o mercado de games está organizado, separando-o em tipos e plataformas.

Tipos de jogos digitais 

De maneira geral, pode-se dizer que o mercado atual está dividido em 4 tipos principais de produções: Jogos tradicionais, jogos casuais, advergames e jogos educativos.

Jogos Tradicionais

A famosa frase “zerei o jogo!” está diretamente relacionada aos jogos digitais ditos tradicionais. Essa classificação diz respeito a jogos que possuem fases (alguns jogos trabalham estas fases como capítulos de uma história) e exigem do jogador um certo nível de dedicação. Normalmente são jogados em consoles e/ou computadores, mas, veremos estas classificações mais à frente. Obras como The Last of Us Life is Strange são exemplos que trabalham brilhantemente com este conceito.

Jogo The Last of Us.

Jogos Casuais

Sabe aqueles sites cheios de jogos online que a maioria das crianças já entrou durante a aula de informática? Todos os jogos ali podem ser considerados casuais pois são fáceis de aprender e simples de jogar. Em outras palavras, os jogos casuais são aqueles que funcionam como um passatempo prático. O jogo mobile Angry Birds é um exemplo de jogo casual, mesmo apresentando fases a serem passadas.

Jogo Angry Birds.

Lembre-se, o que caracteriza um jogo tradicional é a forma como ele se desenvolve e prende o jogador, não apenas a presença de fases. Quando um jogo é prático, mesmo com fases, ele é considerado casual.

Advergames (ou advertising games)

Saber que o termo inglês advergames é a junção entre as palavras Advertise (que significa propaganda) e Games (que significa jogos) já ajuda a ter uma noção do que se trata este tipo de jogo. Eles são, essencialmente, jogos publicitários desenvolvidos para funcionarem como uma estratégia de marketing, atingindo um público maior e/ou aumentando o engajamento da marca. Se você já entrou no Google e se deparou com algum jogo comemorativo, saiba que ele pode ser considerado um advergame. 

Jogo publicitário para o salgadinho Cheetos.

Jogos Educativos

Pode não parecer, mas é um dos tipos de games mais presentes no mercado brasileiro atualmente. Como o próprio nome já diz, os jogos considerados educativos funcionam como uma proposta de ensino, passando informações de forma divertida e interativa.

Eles são comumente utilizados no ensino de crianças e adolescentes, mas, de uns anos para cá, outras instituições já estão adotando o método, como é o caso do SEBRAE que, anualmente, realiza competições de produção de games para este fim.

Exemplo de jogo educativo infantil.

Plataformas dos jogos digitais

Já as plataformas, ou seja, onde estes jogos serão jogados, são separadas em três demandas principais: Computadores, portáteis e consoles.

Computadores

É um dos principais alvos das grandes produtoras de games, por dois motivos principais: É uma plataforma de fácil acesso nos dias de hoje e os jogos produzidos para computador têm a possibilidade de adequar suas configurações de qualidade à potência da máquina que está sendo usada para jogar.

Outra vantagem de produzir jogos para computador é a, entre aspas, facilidade de entrar no mercado. Atualmente, existem motores capazes de reunir jogos para mais de um sistema operacional (Windows, Linux, Mac) ao mesmo tempo, por preços acessíveis ou até mesmo sem custos, permitindo que o desenvolvedor crie seu jogo e disponibilize-o na internet, através de lojas digitais, sem muitas restrições.

Portáteis

Os portáteis, ou jogos para dispositivos móveis, nada mais são, do que jogos produzidos para aparelhos como celulares, tablets e videogames portáteis (como o Nintendo Switch e o PS Vita). Em um contexto geral, o desenvolvimento de games para esta plataforma é uma área bem disputada, graças a praticidade de desenvolvimento, facilidade de se inserir no mercado e reconhecimento.

Parte desta facilidade se deve ao nascimento das lojas eletrônicas para dispositivos móveis (assim como foi para os games de computador), pois, com elas, o processo para obter-se jogos digitais se tornou mais prático.

Mas, é importante atentar-se a um detalhe importante! A maior demanda dos games para portáteis são para dispositivos mobile, ou seja, celulares. Isso significa que os desenvolvedores que se especializaram nesta plataforma devem conseguir deixar o jogo “leve”, o suficiente para funcionar bem e com qualidade.

Consoles

Não há dúvidas de que esta é uma das plataformas mais desejadas do mercado, tanto para compra, quanto para produção. Chamamos de consoles (ou videogames), todos os aparelhos que têm como função primária rodar jogos, isto é, aparelhos que foram desenvolvidos com esta finalidade. Nintendo Wii, Playstation 4 Xbox One são exemplos.

Diferentemente dos games criados para computadores e celulares, os jogos de videogames são mais complexos de serem produzidos, demandando mais tempo e dinheiro, pois, é necessário ter a autorização da empresa produtora do console para comprar o kit de desenvolvimento de jogos e para lançá-lo no mercado.

Em outras palavras, se você pretende desenvolver um jogo para Playstation 4, você deve ter a autorização da Sony antes de produzir qualquer coisa – principalmente porque você só poderá desenvolver o jogo com o kit de desenvolvimento próprio da empresa e, para comprá-lo, é necessário uma permissão – e uma autorização depois que o jogo estiver finalizado e pronto para ser lançado.

Mas afinal, trabalhar com jogos digitais no Brasil dá dinheiro?

Falando de forma prática, em 2017, a BNDES realizou uma pesquisa durante os meses de junho e julho e divulgou o Panorama da Indústria Brasileira de Jogos Digitais que pode responder essa pergunta.

De acordo com os resultados apresentados (coletados através do levantamento da Newzoo), a indústria brasileira de games movimentou um capital de faturamento de, aproximadamente, R$ 1,3 bilhões, colocando o Brasil como 13º colocado no ranking dos países que mais geram capital dentro da indústria. Além disso, a pesquisa apontou que mais de 90% das empresas estudadas para realizar o levantamento conseguem faturar, por ano, até R$ 1 milhão.

Vale ressaltar que este valor varia muito de setor para setor. Por exemplo, ainda de acordo com a pesquisa, as duas áreas mais assertivas do mercado são os jogos para entretenimento e os jogos educacionais, ou seja, faturam mais.

Você pode ver o levantamento completo clicando aqui.

Na parte 2 deste artigo, iremos conversar sobre os diferentes profissionais que se encaixam dentro da produção de jogos digitais e sobre como funcionam as produtoras brasileiras de jogos, com exemplos aqui de Curitiba!

Enquanto isso, vamos discutir sobre o assunto! Deixe a sua opinião em relação a indústria brasileira de jogos nos comentários 🙂

18 anos, cabeça nas nuvens e viciada em marca-páginas,
Prazer.

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