Dicas de Estudo

Retroceder nunca, render-se jamais – parte 1

Quem nunca, em algum momento, pensou em desistir de algo? Um sonho, um emprego, uma ideia? No momento em que idealizamos algo, criamos uma expectativa que muitas vezes é bem diferente do mundo real. E aí, o que fazer? Como um bom filme de ação dos anos 90, esta seção é destinada para contarmos histórias e momentos em que, por muito pouco, não desistimos e jogamos a toalha. Podemos até dar alguns passos pra trás, mas lembre-se: Retroceder Nunca, Render-se Jamais!

 

“Eu devia ter mais ou menos uns 10 anos e, enquanto a professora ensinava o conteúdo da disciplina de português no quadro, lá estava eu em uma dimensão paralela: um mundo repleto de monstros e naves espaciais, a prova viva de que uma pessoa pode estar em dois lugares ao mesmo tempo (ou pelo menos de corpo presente e de alma viajante). Minha infância e minha relação com a escola foi quase sempre assim. Era eu chegar na sala de aula para um mundo de possibilidades se abrir. É óbvio que não era um mundo de possibilidades para estudar e sim possibilidades para sonhar, mas não vou culpar o sistema. Talvez ficar sentado por 4,5 horas em frente a um quadro negro não seja a melhor maneira de fazer uma criança-um-tanto-hiperativa-quanto-eu aprender alguma coisa. Ao longo dos anos fui insistentemente lembrado de que eu era diferente das outras crianças – menos que as outras crianças. Posso contar um milhão de histórias, mas prefiro contar só uma.

Aos 12 anos eu fui diagnosticado com TDAH – o tal do Déficit de Atenção e Hiperatividade. O nome da Drª que me diagnosticou era Ana, e ela me explicou que a partir daquele momento eu seria tratado para que o TDAH não afetasse tanto a minha atenção. No dia do diagnóstico, fui em uma farmácia comprar um remédio, Ritalina, e juntamente com ele vinham uma série de panfletos e um CD. E é aí que a história começa a se relacionar com o tema dessa matéria. Quando cheguei em casa, fui ler esses panfletos e eles diziam coisas como “As pessoas que têm déficit de atenção têm mais propensão a se viciar em drogas” “As pessoas que têm déficit de atenção têm 35% a menos de chance de se formar em um nível superior”.

Para uma criança que mal sabia o que era nível superior isso foi algo bem assustador de se ver, eu lembro. Foi como se eu tivesse lido a confirmação do que todos os meus professores haviam dito até então: a de que eu não seria ninguém.

Chorei.

Para mim era óbvio que todos os sonhos que eu tinha se acabavam ali, naquele momento. Era a declaração carimbada e assinada de que eu não chegaria a lugar algum. No dia seguinte, voltei para fazer outra consulta com a Drª Ana, sem muitas esperanças de que as coisas pudessem melhorar. No meio da consulta ela me disse uma coisa, algo que meu pai e minha mãe sempre me falavam: “Você pode ser quem você quiser Gustavo, e a partir de agora isso vai ficar cada vez mais claro”. Foi uma injeção de coragem para aquela criança sonhadora que, de um dia para o outro, tinha perdido um pouco de sua esperança. Prometi para mim mesmo que nunca deixaria que aquilo que estava no papel se tornasse realidade e, com a ajuda da minha família e com muita disciplina, isso se tornou muito mais fácil que eu imaginava. A criança que chegou a não ter perspectiva nenhuma se tornou um adulto que faz de tudo para transformar seus sonhos em realidade.

É fato: para cada objetivo que temos iremos encontrar diversos obstáculos. Dentro do meu problema, encontrei minha própria solução. A imaginação, aquela que tanto me atrapalhava na escola, foi o que me deu força para superar as dificuldades que encontrei ao longo do caminho. Então, se eu posso deixar um conselho a vocês: sonhem, sonhem o mais alto que vocês puderem, pois são seus sonhos que vão te ajudar a enfrentar todos os obstáculos da vida.”

Gustavo Ribeiro

Professor de Modelagem 3D

E aí, o que você achou das histórias? Você tem alguma história inspiradora para compartilhar com a gente? Vamos conversar nos comentários! 

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